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CASA FAMÍLIA KUNIYOSHI
Autores
Laura Aguileras
Superfície Construída
400,00m²
Projeto
2025.2
Construção
Em Desenvolvimento
Obra
Aguileras Arquitetura e+
Gestão
Aguileras Arquitetura e+
Fotos
Renders do Escritório
Localização
Bairro da Saúde, São Paulo, SP
O projeto da Família Kuniyoshi parte da reconfiguração de um terreno singular no bairro da Saúde, em São Paulo, composto por duas construções preexistentes implantadas em níveis distintos: uma casa principal voltada para a rua superior, com dois pavimentos, e uma casa secundária ao fundo, com quatro pavimentos e acesso originalmente independente pela rua inferior. Atendendo ao desejo dos moradores por maior privacidade e segurança, esse acesso foi desativado, consolidando a organização do conjunto a partir de uma única entrada e reforçando a ideia de unidade familiar dentro de um território compartilhado.
Pensado para um casal e suas três filhas, o projeto buscou equilibrar autonomia e convivência. A proposta consistiu em transformar o lote em uma espécie de micro-vila familiar, onde cada integrante pudesse habitar sua própria unidade independente — com exceção do casal, que compartilha a mesma residência — enquanto áreas estratégicas permanecem coletivas. Assim, a distribuição se organiza de forma precisa: uma das filhas ocupa o pavimento superior da casa principal, único trecho preservado sem intervenção; o casal permanece no pavimento inferior dessa mesma construção; e as duas outras filhas habitam pavimentos distintos da casa posterior. Os demais níveis foram destinados aos espaços de uso comum, como churrasqueira, lavanderia, área externa e uma sala de karaokê, reforçando a convivência entre todos.
A articulação entre as duas edificações ocorre por meio de um generoso vazio central que se desdobra em dois pátios conectados por desníveis naturais do terreno: o pátio superior vinculado à casa frontal e o inferior à construção posterior. Esse espaço aberto torna-se o coração do projeto, funcionando como elemento de transição, permanência e encontro.
Internamente, cada unidade foi concebida como uma morada completa e autônoma, composta por cozinha integrada à área social, suíte e espaço de trabalho. Em uma das residências, incorporou-se ainda um quarto infantil destinado aos dois novos membros da família. A linguagem arquitetônica e de interiores se orienta por referências da tradição japonesa, perceptíveis tanto na espacialidade quanto no desenho do mobiliário. Portais reinterpretados marcam as entradas e enfatizam os percursos, enquanto o pátio verde central remete aos jardins contemplativos orientais, complementado por uma arquibancada que resolve os desníveis e cria um espaço de permanência.
Os interiores reforçam essa atmosfera por meio de elementos como mobiliário baixo, futons e mesas de chá, estabelecendo uma relação direta entre escala humana, simplicidade formal e sensação de acolhimento. Já na área da churrasqueira — onde limitações estruturais impediam grandes intervenções — a solução foi transformar a restrição em linguagem: painéis móveis inspirados na estética japonesa permitem múltiplas composições e configuram o espaço de maneira dinâmica, ao mesmo tempo funcional e simbólica.
Mais do que uma reforma, o projeto constrói uma nova lógica de habitar coletivo, onde independência, proximidade familiar e identidade cultural coexistem em equilíbrio, traduzindo a arquitetura em suporte físico para os modos de vida e vínculos afetivos de seus moradores.



































































